sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

ROCHAS SOBRE O MAR E PAISAGISMO


ROCHAS SOBRE O MAR E PAISAGISMO

A construção dessas rochas que avançam para o mar faz parte do projeto do porto para a VALENE. Essas rochas, à direta do porto, fazem par com o pequeno porto de pescadores que construí no lado esquerdo da maquete, funcionando ambas as construções como molduras para a paisagem.
A técnica construtiva é a seguinte:
1 - No canto direito do módulo fiz a base da rocha utilizando papel Kraft e papel de embrulho. A fixação foi feita com cola, grampos e fita crepe.
Importante: nesse momento já se deve dar os contornos que você precisará para as rochas. Isso melhorará o resultado final.


2 – Na segunda etapa apliquei 3 camadas de atadura gessada sobre os morros de papel. A atadura gessada aparece em destaque, e pode facilmente ser comprada em lojas que fornecem insumos médicos. É barata e dá um excelente resultado.


3 – Depois que a atadura gessada ficou completamente seca apliquei, com um pincel,  uma pasta de gesso sobre a atadura e sobre o gesso ainda mole coloquei pedaços de papel higiênico. Com as pontas das cerdas do pincel fui batendo sobre o papel para que ele se misturasse ao gesso e formasse essa superfície irregular que aparece na imagem...


4 - Quando o gesso secou, com um pincel bem macio apliquei a tinta Slate Grey diluída a 1:32 (Woodland C1219). Depois que a tinta secou apliquei verniz fosco da Corfix ref 70010 sobre toda a peça. Tendo secado o verniz apliquei uma nova camada de tinta, só que desta vez usei o Blac a 1:32 (Woodland C1220). Com a peça seca e usando uma lixa bem fina fui retirando as pontas da superfície rugosa, deixando aparecer o branco do gesso. Feito isso passei em algumas partes, aleatoriamente, uma camada bem fina de Yeloow Ochre a 1:32 (Woodland C1223) retirando os excessos de tinta. O resultado é o que se pode ver na foto.



PAISAGISMO

No meu projeto as rochas, além de servirem de moldura, seria um ponto onde os trabalhadores do porto e visitantes pudessem nelas subir e apreciar a paisagem. Por isso era importante construir os acessos às rochas.
Inicialmente aplainei diversos trechos com “concreto” utilizando massa de biscuit. Nas partes onde a rocha tinha mais declive coloquei pequenas escadas, que na verdade eram sobras de outros projetos e que estavam guardadas nas minhas gavetas. Pintei essa base com a cor concreto, escurecida com uma  leve pitada de preto.



MATERIAIS UTILIZADOS:

A parte mais difícil foi conseguir uma planta bem espinhosa que costuma crescer sobre as rochas. Desci ao litoral, tirei algumas fotos da vegetação e encaminhei para o Paulo José e para o Paulo Maurício do site Le Grand Train.
A foto seguinte é o registro do excelente material que o Paulo José me enviou, e que foi utilizada sobre as rochas. As fornecidas pelo Paulo Maurício serão montadas e aplicadas no porto dos pescadores.
Essa base comprida facilitou muito a fixação de cada unidade com cola PVA de secagem rápida na atadura gessada.




Na sequência risquei sobre as rochas os locais por onde circulariam os pedestres para facilitar a distribuição das plantas que seriam fixadas com cola.




Na sequência fui fixando pequenos tufos de capim Savannah Grass Mat da Busch (BH1317) intercalados com as moitas de espinhos fornecidas pelo Paulo José.
Utilizei também tufos de capim de 10 mm da Bachmann, (31044), além de moitas prontas em diversas cores da Noch , mescladas nas cores bege e verde (07004).
Como havia mais dois acessos difíceis sobre as rochas coloquei duas pequenas escadas facilitando a passagem dos pedestres.
A pequena poça - que aparece nas duas fotos abaixo - é resultante da água da chuva que se acumula sobre as rochas, e foi feita com Realistic Water da Woddland (C1211), levemente colorida com uma gota de corante azul claro.


Fiz a ligação entre o pátio do porto e as pedras com uma pequena elevação de concreto, executada conforme explicações já dadas no texto. Em ambos os lados coloquei os tufos de capim Savannah Grass Mat da Busch (BH1317).


Na parte mais elevada das rochas fixei duas pequenas árvores . Uma da Woodland “fine-leaf foliage – light green (ref WD1132 e outra que me foi doada por um ferromodelista num dos eventos e cujo nome não registrei para o agradecimento.
Observem que já delimitei com areia a área destinada aos pedestres...


Na foto abaixo dá para ver melhor a porção de rochas que recebeu os dois pequenos arbustos. Já devidamente cercados pelo capim e pelos espinheiros.


Na foto abaixo, na sua porção inferior,  utilizei uma pequena reentrância nas rochas para fazer a poça d’água. Incluí algumas pedras, e a partir delas inseri um pouco de vegetação, começando pelo Savannah Grass Mat da Busch (BH1317) e complementado por Green Adirondack Blend, da Scenic Express (ref EX897C).



ACABAMENTO FINAL
Daqui para a frente o meu trabalho foi pintar as escadas e acrescentar mais vegetação das já citadas no texto acima.
Os pés de espinheiros tiveram sua cor suavizadas, e as pontas das folhas envelhecidas. Algumas foram quebradas para simular o efeito do tempo sobre a vegetação.
As fotos a seguir mostram o resultado obtido.







Nessa última foto dá para perceber bem o trabalho de envelhecimento sobre os espinheiros, conferindo ao conjunto de vegetação um razoável realismo. As paredes de pedra, logo abaixo do capim, também receberam um leve escurecimento. 


Contatos com o autor podem ser feitos através desta página ou do Facebook: https://www.facebook.com/jose.balanfilho
Críticas, dúvidas ou sugestões serão sempre bem vindas.














quarta-feira, 1 de agosto de 2018

CERCA VIVA - COMO FAZER?

Fazer cerca viva é muito simples e muito barato.
São poucos os materiais que você vai utilizar e todos eles muito fáceis de adquirir.

(PARA VER A FOTO EM TAMANHO GRANDE BASTA CLICAR SOBRE ELA)

Materiais 
1 - fibra abrasiva
2 - cola branca
3 - estilete
4 - régua metálica
5 - Textura (à escolha do modelista)
Obs.: No exemplo usei Blended Turf (green blend) REF T 1349 da Woodland Scenics.
A fibra abrasiva é encontrada em materiais de construção ou em lojas que fornecem tintas e equipamentos para pintura.

A que usei neste exemplo é fabricada pela Atlas, mede 110 x 270, ref.:90/20, na cor verde escura.
Se você quiser pode mudar a cor da fibra. Basta utilizar a cor da sua preferência, aplicando-a com um aerógrafo.



1º PASSO:
Defina qual vai ser a altura da cerca viva e, usando uma régua metálica e um bom estilete, corte uma tira no sentido longitudinal da fibra.
O capricho no corte resultará numa cerca viva de melhor qualidade.



2º PASSO:
Mergulhe a fibra dentro da cola branca PVA devidamente diluída em 50% de água.
No exemplo eu preparei uma grande quantidade de cola uma vez que vou usar bastante. Se o frasco ficar bem fechado a cola não estraga.


3º PASSO:
Deixe escorrer completamente o excesso de cola.


4º PASSO:
Aplique a textura escolhida.
Neste exemplo utilizei Blended Turf (green blend) referência T 1349 da Woodland Scenics.
O modelista pode utilizar outras texturas e outras cores. Poderá fazer a superfície lisa ou ondulada, com folhas ou com ramos, com a base mais escura para simular os galhos e a parte superior com cores mais claras para simular as folhas que estão brotando depois da poda.


Obs.: nesse caso fiz a aplicação da textura dentro de uma forma para facilitar o recolhimento do excesso de material.

5º PASSO:
Coloque a cerca viva em sua maquete.
Ela poderá ser utilizada em inúmeros locais, dando vida e beleza ao cenário.



Obs.: Nessa dica procuro mostrar a forma mais fácil de fazer esse tipo de decoração.
Cada modelista poderá aperfeiçoá-la, mudá-la, incrementá-la dentro do seu nível de experiência.
O que deixo bem claro é que é muito simples de fazer e é baratíssimo.
Divirta-se!
Sugestões, comentários ou perguntas é só deixar a mensagem nesta página.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

FAZENDO PINHEIROS (CONÍFERAS) COM O CONJUNTO DA POSTAGEM ANTERIOR

O meu objetivo com esse tutorial é dar um caminho para o modelista ferroviário que gosta de fazer suas árvores, nesse caso, coníferas.
Não tenho aqui nenhum propósito de esgotar o tema. Apenas estou mostrando o meu modo de fazer isso, que poderá servir de inspiração ou ponto de partida para os que pretendem dar um toque pessoal ao cenário da maquete.
No meu caso estou dando ênfase ao conjunto de fabricação de coníferas, cujo projeto de construção antecedeu a esta postagem.
Basicamente vamos tratar aqui de três tipos de coníferas. 
O primeiro tipo, é um cone perfeito, cujo volume de fibra dá uma árvore bem compacta e resistente. O segundo modelo, mais arredondado, utiliza menos fibra, e o efeito é razoavelmente diferente do primeiro. O terceiro modelo, após a aplicação de cola em spray e do fine turf, recebe modelagem com os dedos (ou com um alicate de ponta fina), produzindo uma árvore mais parecida com cedrinhos.

Em todos eles o material básico é o sisal, que no meu caso foi retirado em pedaços de uma corda.



O começo de todo o processo é cortar o sisal em pequenos pedaços, cujo comprimento vai ser determinado pelo tamanho da árvore que o modelista pretende fazer.

No meu caso cortei o sisal em pedaços de 5 cm, e depois, com a árvore já montada, aparei a fibra com uma tesoura, deixando no tamanho adequado à escala da maquete.



Para cortar o sisal  o modelista pode utilizar uma faca afiada ou até mesmo um facão, conforme pode se ver nas duas fotos abaixo. No meu caso, como a corda era muito grossa, também utilizei um martelo, o que facilitou razoavelmente o corte.



TINGINDO O SISAL


Utilizei corante para roupas, que é muito comum em qualquer país, mas cores verde escuro e verde claro.
Numa panela com dois litros de água despejei um tubo de tinta verde clara e 20 ml de tinta verde escura.

Depois coloquei dentro da panela os pedaços de sisal devidamente desfiados e alinhados conforme pode-se ver na foto abaixo.



IMPORTANTE!


Atenção para as regras abaixo. Elas vão permitir um melhor resultado no tingimento e no manuseio do material.
1 – A água deve cobrir o sisal.
2 – Deixe em fogo baixo para evitar que levante fervura.
3 – Não tampe a panela porque vai levantar fervura; se isto acontecer o sisal vai ficar todo entrelaçado e imprestável para o uso.
4 – Deixe no fogo durante 30/40 minutos.


Após esse período retire cuidadosamente o sisal da panela e espalhe-o em local adequado para secar.


MÃOS À OBRA!
FAZENDO A CONÍFERA TIPO 1 (Cone perfeito)



 O primeiro passo é colocar a fibra sobre o arame e espalhá-la. Em seguida dobrar o restante do arame sobre a fibra e colocá-lo  no mandril junto com a outra ponta.




Retire a mesa de trabalho de debaixo do arame para que as fibras possam girar livremente.

Acione suavemente a aparafusadeira.  Dê pequenos toques no gatilho para ir percebendo o formato que a árvore vai tomando. Veja a sequência de fotos abaixo.



Retire  a árvore da aparafusadeira e recorte o excesso superior deixando uma pequena ponta. Na parte de baixo deixe 3 cm de arame para a fixação da árvore à maquete.



Com uma tesoura dê o formato que você quer para a árvore. Neste caso, um cone.



Mergulhe a árvore dentro da cola PVA (50% cola e 50% água) até encobrir todas as fibras. Depois retire a árvore e deixe escorrer bem a cola.



Em seguida faça a aplicação do acabamento preferido. No caso do exemplo usei Fine Turf - green blended (Woodland T 49)



Na foto abaixo, o resultado final.



Observem que na foto acima aparecem algumas falhas na folhagem que não existiam no enrolamento final da árvore. Explico: com a aplicação da cola e do fine turf, é possível fazer essas falhas apertando a lateral de um alicate ou de uma chave de fenda contra a conífera. A folhagem ficará comprimida e aparecerão as falhas.

Só a título de sugestão, em outra conífera (abaixo) fiz a aplicação de Blended Turf, depois borrifei cola e  sobre ela espalhei um pouco de grama estática (static grass) da Noch. 
Veja o resultado:






FAZENDO A ÁRVORE TIPO 2 (Conífera mais arredondada)


Neste modelo utilizei a fibra pronta, já pintada, que é vendida em carretéis nas lojas de artesanato (foto abaixo)



Para fazer a árvore do exemplo, cortei quinze pedaços de 5 cm. O tratamento dado à fibra foi um pouco diferenciado. Com um pente, desfiei as fibras. Na montagem abaixo o processo fica bem claro.




 Passamos agora à montagem da árvore.
Coloque o arame na aparafusadeira e distribua a fibra sobre ele.



Note que a fibra está mais comprida e um pouco mais espalhada. Isto é fundamental para se obter a conífera com o formato que queremos. Não se preocupe se não der certo. Tente novamente com outras quantidades de fibra até obter o conjunto correto.
Depois da fibra enrolada e do corte levemente arredondado com a tesoura, o aspecto vai ser o da foto abaixo. Note como as fibras estão mais espalhadas, com menor densidade.



Mergulhe completamente a árvore na cola. Depois levante-a para que o excesso de cola possa escorrer.



Aplique o acabamento de sua preferência. Neste exemplo estou aplicando o Fine Turf com a mão, dispensando o shaker. Escolha a alternativa cuja aplicação seja mais fácil para você.





Finalmente temos o pinheiro pronto.



Fazendo o modelo 3 (Cedrinho)



Monte a fibra sobre a mesa. Sua necessidade e a escala da maquete determinarão o tamanho da árvore.



Enrole as fibras como nos exemplos anteriores e recorte no formato desejado.



Ao contrário dos exemplos anteriores, onde utilizamos cola PVA diluída para a aplicação de textura, nesse novo modelo de pinheiro será necessário usar cola em spray, conforme foto abaixo, ou similar.



Aplique a cola sobre a toda a árvore.




Aplique o fine turf sobre a cola. Com os dedos (ou com um alicate) vá dando o formato de pequenos tufos na árvore. A cola em spray, enquanto não seca, permite a modelagem dos tufos de folhas.



A árvore pronta ficou assim.



O exemplo abaixo foi feito usando a mesma técnica, mas a modelagem foi executada com os dedos e formando tufos maiores de folhagens.


BÔNUS:


Só como exemplo, a árvore abaixo, utilizando a técnica 3, foi executada com a fibra natural, sem pintura, uma vez que a textura a ser aplicada teria uma tonalidade bem semelhante à base.

Depois de colocar a árvore na cola, apliquei sobre ela a textura  Fine Turf -Yellow grass (Woodland
T43)

Com o alicate fiz os tufos de folhas.



Depois, apliquei cola líquida com um pincel largo, nas pontas das folhagens.



Em seguida joguei sobre a cola o Blended Turf, para dar a impressão de meia-estação, quando a árvore, depois do inverno, começa a brotar.



O efeito final é mostrado abaixo. 
Pode ser uma boa opção para intercalar entre as outras árvores, quebrando o efeito monocromático.



Considerações finais

Para facilitar a compreensão utilizei quase  sempre o Fine Turf – blended turf (Woodland T 49),  mas outros acabamentos podem ser usados pelos modelistas. O cenário escolhido irá determinar a escolha das texturas.
O importante é experimentar e não ter medo de recomeçar se a primeira experiência não deu certo.
Dou como exemplo a modelagem da árvore tipo 3, que me ocorreu ser possível com a cola spray. A tentativa de fazê-la me provou que eu estava certo.
Se houver dúvidas podem me perguntar através desta página.
Espero que o tutorial seja útil, particularmente para aqueles que gostam de dar um passo à frente, fazer boa parte do cenário, e dar um toque pessoal às suas maquetes.
Um grande abraço!