segunda-feira, 11 de agosto de 2014

COMO USAR UMA FONTE DE COMPUTADOR PARA ILUMINAR A MAQUETE?

A iluminação de uma maquete é indispensável,  e existem diversas formas de fazer isso. A que sugerimos é utilizar uma fonte de computador.
Na iluminação de uma maquete, de um modo geral,  recomenda-se utilizar lâmpadas de baixa voltagem (6, 12 ou 16 V), e jamais fazer a iluminação com a voltagem em 127 ou 220 volts, pelo evidente risco que se corre num eventual curto circuito.
Mandar enrolar uma fonte específica para essas voltagens e que disponibilize uma amperagem bem alta fica muito caro, mas as fontes de computador se revelam extremamente baratas e adequadas para a nossa finalidade. Desde, é claro, que você respeite a quantidade de lâmpadas que podem ser ligadas a ela (veja comentário abaixo). Essas fontes de computador podem ser obtidas nas oficinas de assistência técnica a um preço bem acessível.
A fonte que nos interessa é a fonte ATX. Na realidade  essa nomenclatura é relativa à placa mãe, desenvolvida pela  Intel® a partir de 1995, mas como para essa nova placa havia a necessidade de uma fonte mais “poderosa” para suportar os novos processadores, essa nova fonte acabou ficando conhecida com a mesma sigla que pertence à placa.

Para simplificar, quanto às conexões elétricas, seletor de voltagem e chave liga/desliga,  vou dizer que existem dois tipos, cujas fotos coloco abaixo.



Como se pode notar na primeira foto, essa fonte tem uma chave (no círculo vermelho)  muito adequada para você ligar/desligar a iluminação da maquete. Embora a outra fonte (foto2) não tenha a chave liga-desliga, ela também  funciona vinculada à placa mãe, isto é: ambas são desligadas pelo sistema operacional (Windows ou Linux).
Lembramos, também,  que essas fontes nos oferecem corrente contínua, muito adequada às diversas aplicações que pretendemos.
As fontes são fornecidas com as mais diversas potências e amperagens (veja abaixo dois exemplos de placas com as especificações técnicas).  
Quando você for calcular se a fonte vai aguentar ou não a amperagem relativa ao total de lâmpadas, se for em 12 volts leve em consideração o número que aparece no retângulo vermelho das fotos abaixo, a amperagem de saída. Se estiver utilizando uma fonte usada, dê uma margem de segurança para evitar que a sobrecarga desarme a fonte (se ele tiver proteção contra queima). 
Você vai saber a carga total medindo a amperagem de uma lâmpada e multiplicando-a pelo número de unidades instaladas na maquete. 




Para facilitar, vamos dar uma espiada no painel da fonte de  onde saem os fios.


As cores dos fios e suas respectivas voltagens de saída são padrões para todos os fabricantes. 
As cores que nos interessam e suas respectivas voltagens são as seguintes:
Preto – neutro
Vermelho: 5 volts
Amarelo: 12 volts (amarelo)

COMO PREPARAR A FONTE?


Não se assuste com a quantidade de fios. Recorte fora os plugs e todos os fios que não tiverem as cores relacionadas acima. Isole-os para evitar curtos. Deixe os demais fios com aproximadamente 20 cms. Observe  que na foto acima o fio verde está ligado a um fio preto. Na fonte ATX é necessário fazer esse “jump” porque senão ela não funcionará. 

COMO USAR OS FIOS QUE RESTARAM?
Como vão sobrar muitos fios das cores citadas, você pode usá-los aos pares para iluminar a maquete, inclusive  destinando  um par aos postes, outro às casas, outro às indústrias, e assim por diante. 
Coloque conectores do tipo destacado na foto abaixo aos pares de fios. Isto facilitará o manuseio da fonte e a conexão dos fios que alimentarão a maquete. Tendo em vista que essas fontes oferecem uma boa amperagem em corrente contínua, elas são excelentes para alimentar circuitos ou aparelhos que necessitem de 12 volts.


Chaves independentes para ligar os diversos setores da maquete são bem adequadas. A iluminação setorizada enriquece visualmente a maquete. Para  seccionar a iluminação basta que se coloque uma chave entre a fonte e o circuito que será alimentado.
Uma outra utilização prática da fonte é reservar um par de fios amarelo/preto para testes de “leds”.  Basta colocar um resistor de 1 K (foto abaixo) o qual será suficiente para testar os “leds” de todas as cores sem o risco de queimá-los.
Para evitar curtos circuitos é conveniente isolar as conexões com o espaguetti termo retrátil.


Com uma fonte de computador você terá uma boa forma de iluminar a sua maquete a um preço bem baixo. 
Se a quantidade de lâmpadas e a amperagem ultrapassarem o limite suportado pela fonte,  divida o circuito e acrescente outras fontes. Este cuidado dará uma margem de segurança à iluminação da maquete.
Bom trabalho e boa diversão.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

COMO FAZER MORROS E MONTANHAS

                                            (Para ampliar as fotos basta clicar sobre elas)


Uma pergunta que me fazem com frequência é como faço os morros e montanhas das minhas maquetes.
Existem várias formas para executar bem essa tarefa mas vou mostrar neste pequeno tutorial como resolvo isso utilizando materiais baratíssimos, como papel Kraft, jornais velhos, embalagens descartadas de Isopor e, como acabamento, atadura gessada (depois explico melhor que produto é esse).


LISTA DE MATERIAIS E UTENSÍLIOS


1 – Papel Kraft, ou jornais velhos (Este papel é encontrado em lojas de embalagens)
2 – Borrifador de água
3 – Grampeador
4 – Gesso estuque (pode ser encontrado em qualquer loja de materiais de construção)
5 – Cola PVA (de preferência dessas utilizadas para fixar assoalhos – depois explico porquê)
6 – Fita crepe
7 – Uma pequena peneira de chá

8 – Pedaços de embalagem de Isopor


Além dos materiais citados acima você vai precisar de uma forma de bolo e, é claro, das ataduras de gesso. No exemplo deste tutorial utilizei atadura gessada de 20 cm de largura.

O que é “atadura de gesso”?
É um produto médico hospitalar onde uma base de tecido de algodão é impregnada uniformemente com gesso. Ela serve para imobilização de fraturas ósseas e lesões musculares.

Onde a “atadura gessada” pode ser comprada?
Pode ser comprada em lojas que vendem suprimentos médicos hospitalares.
Elas são vendidas com 6 cm, 8 cm, 10 cm, 12 cm, 15 cm e 20 cm de largura. Cada rolo vem com 4 metros de comprimento. Cada unidade (20 cm de largura) custa hoje em torno de 2,5 dólares (preço no Brasil).

VAMOS COMEÇAR!

Sobre o tablado, no local escolhido, aplique primeiro os pedaços de embalagem de  Isopor para fazer a base. Eu utilizo o Isopor porque é leve, e se a maquete deverá ser transportada  para exposições ou esporadicamente mudada de lugar, ser leve é algo fundamental.
Cole as peças de preferência com cola de assoalho porque embora ela seja solúvel em água, depois que seca não sofre mais a ação da umidade, o que evita descolamentos dos produtos aplicados.
Atenção!

É importante, após a colagem do Isopor ao tablado, aguardar um tempo de secagem adequado porque a etapa a seguir depende da perfeita fixação das peças à base.


Continuando!

 Na sequência rasgue pedaços de papel Kraft ou de jornal, faça pequenas bolas com eles e fixe-os no lugar escolhido com grampos e fita crepe.
O tamanho e o formato da montanha vai depender das necessidades do modelista. É importante lembrar que toda maquete tem uma escala, e tudo o que é feito nela deve levar a escala em consideração.

DICA IMPORTANTE!

À medida que você for fixando o papel vá fazendo dobras para simular o formato das pedras e do relevo. Isto vai ajudar no resultado final.

Veja na foto abaixo como vai ficar a primeira etapa.

Depois que você colocar todo o papel o visual vai ser mais ou menos esse da foto abaixo.
Parece um embrulho mal feito, mas é assim mesmo que deve parecer...


VAMOS MOLHAR AS MÃOS!
(Se achar conveniente utilize luvas para aplicar a atadura de gesso)

A partir desta etapa o seu capricho e criatividade são muito importantes para a obtenção do resultado final que se deseja.
Abra a embalagem de atadura gessada e vá cortando, com uma tesoura, pedaços de aproximadamente 20 cm. Deixe vários pedaços cortados para facilitar o serviço. Deixe, também,  a forma pronta, com água, num nível suficiente para haver a completa imersão da atadura gessada.
Mergulhe a atadura por um segundo na água,  retire-a imediatamente e comece a aplicá-la sobre o papel (não deixe por mais tempo porque o gesso poderá se soltar da atadura).


Como a atadura está impregnada de gesso, com a ponta dos dedos esfregue o gesso molhado para que ele se espalhe tapando a malha do tecido.

Dica!

1 - Com um borrifador de água, molhe suavemente o papel no local onde você vai aplicar a atadura. Isto facilitará a adesão da atadura ao papel.
2 – Aproveite o momento da aplicação da atadura para ir dando formato ao relevo.

Opa! Está tomando forma!
Veja como vai ficando o visual...



Dica!

Utilize um pincel de cerda dura para fazer a atadura gessada entrar nas frestas do papel, formando as reentrâncias.


Importante!

É comum o gesso não ser suficiente e ficar aparecendo a trama do tecido.

Como resolver isso?

Simples! Molhe suavemente o local com o borrifador de água e aplique uma nova camada de gesso com uma peneira de chá. Após espalhar o gesso alise-o com os dedos ou com o pincel para que a trama do tecido desapareça.

Nessa etapa você pode adicionar pequenos pedaços de atadura ao conjunto, para melhorar o relevo, com pequenas elevações, ou para tapar frestas que ficaram muito grandes.

E agora, com uma camada de atadura aplicada em todo o conjunto, obtemos o resultado final.

O mesmo conjunto visto de outro ângulo.

Como se percebe pela sequência de fotos,  fiz a aplicação de apenas uma camada de atadura gessada. Nas minhas maquetes aplico três ou quatro camadas para que o conjunto tenha uma boa resistência mecânica. Uma vez que posteriormente serão aplicados acabamentos para finalizar o cenário é importante que esse material tenha uma boa base. Além disso se o morro/montanha for bem resistente, não rachará quando houver uma eventual movimentação da maquete. 

Gostaria de lembrar que o resultado final vai depender muito da habilidade do modelista.

Em cima do método que apresentei, podem ser adicionados diversos melhoramentos ou técnicas complementares que o modelista conheça.

A título de informação, no exemplo acima gastei dois rolos de atadura gessada de 20 cm de largura.

Lembro, também, que após essa etapa a montanha receberá o paisagismo, com a colocação de pedras pré-fabricadas de gesso, vegetação rasteira e pequenas árvores. Mas isto é um assunto para outro tutorial.

Se alguém ainda tiver alguma dúvida basta deixar mensagem que terei o maior prazer em esclarecer.

sábado, 4 de janeiro de 2014

COMO FIXAR AS CONSTRUÇÕES NO TABLADO?


Quando você vai fixar alguma construção sobre a maquete deve levar em consideração  que ela poderá necessitar de reparos, uma nova pintura, uma modificação no modelo ou a troca de uma lâmpada que queimou. Se colar, certamente algo vai estragar na hora em que a construção tiver que ser removida.
A dica a seguir mostra uma maneira fácil e prática de fixar suas construções no tablado. A técnica utilizada permite que a peça (se precisar de reparos) possa ser retirada quantas vezes você necessitar sem que o conjunto se faça em pedaços, como é comum acontecer quando as construções são coladas ao cenário.
A foto abaixo mostra onde eu deveria colocar o prédio do laboratório e do almoxarifado na minha maquete VALENE - Uma siderúrgica dos anos 40.
O espaço já estava preparado com as dimensões do edifício.

Este é o prédio que iria ocupar o espaço indicado na foto acima


COMO FAZER?

Corte uma pequena ripa de madeira (normalmente uso balsa) para que caiba exatamente dentro das duas extremidades da construção. Em seguida faça um furo exatamente no meio dela e coloque um parafuso com comprimento adequado para atravessar o tablado. Faça o furo bem justo para que você possa rosquear o parafuso na madeira. Cole o parafuso na madeira com adesivo instantâneo. 
Fixe a ripa na construção conforme mostrado na foto abaixo, colando-a nas extremidades. Não esqueça de deixar pronta e em seu lugar a iluminação do edifício. 




MOLDE

Depois de fixar o pedaço de madeira com o parafuso na construção, fica muito difícil marcar no tablado de forma correta o local do furo para passar o parafuso. Então, o pulo do gato é fazer um molde da construção a ser fixada.
Pegue um papelão maior que o fundo do edifício, faça um furo bem no centro do papelão, passe-o pelo parafuso e encoste-o na base da construção, conforme foto abaixo.



Vire a construção e com uma caneta risque todo o contorno do edifício. Não esqueça de anotar no papelão o lado da frente do prédio.



Com uma tesoura recorte o papelão.


Coloque o papelão onde vai ser fixada a construção e risque o local onde deverá ser feito o furo para a passagem do parafuso.


Como a construção vai ser iluminada, não esqueça de fazer mais um furo para a passagem dos fios.


 Na foto abaixo a construção já está em seu lugar, o parafuso já recebeu arruela e porca debaixo do tablado, e os fios de iluminação já foram ligados à rede que alimenta toda a maquete.

Pronto! O edifício já está iluminado e ajudando a embelezar a maquete.
O mais importante é que, não importa quantas vezes você necessite retirar a construção, sua tarefa vai ficar muito mais fácil com a técnica explicada nessa dica.


Contatos com o autor: através de mensagem nesta página.

-.-.-.-.-.-.-.
Gostaria de lembrar que cópias para outros endereços são proibidas. Apenas são permitidos links para esta página.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

PROJETO VALE DA PONTE DOS ARCOS


PROJETO VALE DA PONTE DOS ARCOS
Ano: 2013
Projeto e execução: José Balan Filho
Texto e fotos do autor, menos a primeira foto com crédito indicado. 
(Clique sobre as fotos para ampliar)

O módulo objeto desse projeto é apenas uma pequena fração da maquete que um amigo está construindo no subsolo da sua casa.
Para dar "uma força" vários amigos da Associação Paranaense de Ferreomodelismo e Memória Ferroviária tem-se reunido para colaborar na execução do trabalho.
A parte que me cabe escolhi aleatoriamente dentro de um projeto imenso que toma todo o subsolo.
Só para que se tenha uma ideia o módulo inteiro mede menos de meio metro quadrado...

DE ONDE VEIO A ESCOLHA DA PONTE?

A ponte que escolhi para o projeto foi inspirada na Ponte dos Arcos de Balsa Nova, projeto fantástico de 585 metros de comprimento por 60 de altura, uma obra prima de engenharia que já tem meio século.





 1° PASSO – Escolhendo um trecho da maquete.
Na foto abaixo, mostro, na maquete, o local que escolhi para fazer o módulo. O formato irregular que defini (na hora não me dei conta...) transformou-se num desafio maior  para executar a caixa e fazer o paisagismo.

Com uma folha de papel manteiga fiz um gabarito do formato escolhido, ressaltando o local exato onde passariam os trilhos. Esse desenho foi fundamental para a execução correta da caixa e para a perfeita localização da ponte.
Para fazer a caixa utilizei MDF de 6 mm nas laterais e no fundo. Na parte da frente, devido à necessidade da curvatura, usei  MDF de 4 mm.
 

Na foto abaixo a primeira estrutura da ponte, já com a curvatura e altura corretas, obedecendo rigorosamente o gabarito.

 Na etapa seguinte reforcei a parte superior da ponte, para ficar com uma espessura dentro da escala 1:87.

Técnica: fabricando os arcos:

Seria impossível fazer os arcos sem um novo gabarito, uma vez que além da curvatura dos arcos há, ainda, a curvatura da própria ponte.

Para fazer os arcos utilizei três camadas de estireno de 2 mm, coladas entre si com Super Bonder.


Com o arco colado e preso ao gabarito lixei os dois lados para nivelar as lâminas de estireno.
 

Nas duas fotos seguintes todos os arcos já estão em seus devidos lugares, inclusive com a reprodução do reforço em vigas verticais da ponte original (à direita da foto).
A parte mais grossa onde se apoiam os pilares da ponte, determinam o nível de todo o paisagismo, como o rio e a cascata.

Na etapa seguinte executei os reforços dos arcos, que foram simplificados para o conjunto ficar mais harmônico e menos  pesado visualmente, uma vez que essa ponte é bem mais curta do que a original. As colunas foram feitas com estireno quadrado de 3 mm e a base de apoio das 4 colunas com madeira balsa.


Nesta foto um detalhe dos reforços.


Na foto seguinte reforcei a base dos arcos. Observe que já indiquei com um lápis qual seria a altura do relevo.


Nas laterais da ponte apliquei estireno de 1 mm. Também não foi esquecido o recuo de segurança para algum andarilho distraído...


Antes da pintura do fundo com tinta automotiva na cor cinza, lixei toda a ponte para que houvesse melhor aderência da tinta ao estireno.


O passo seguinte foi fazer a base do relevo  com isopor. As peças recortadas foram coladas à caixa com cola PVA. Convém observar que a parte do fundo, atrás da ponte, há um sulco por onde passará o rio. O sulco foi executado com soprador térmico, conforme pode ser visto na foto abaixo.  Na etapa seguinte esse sulco foi alisado e recebeu massa acrílica, aplicada com um pincel.



Após a etapa do isopor, veio a colocação das pedras. As pedras foram feitas com gesso utilizando os moldes C1236 (Classic Rock) e C1243 (Base Rock) da Woodland Scenics .
Embora no cenário apareça uma quantidade muito grande de pedras, basicamente elas saíram desses dois moldes. As pedras foram recortadas, quebradas, às vezes esculpidas para mudar o formato, mas tiverem como base os dois moldes citados acima. Algumas pedras (bem poucas) saíram de outros moldes que fiz para a Cidade Ferroviária.



Técnica: como aplicar “atadura gessada”:

Antes do assentamento das pedras, o Isopor recebeu três camadas de “atadura gessada” para dar consistência ao conjunto. Após seca, essa cobertura de “atadura gessada” recebeu diversas demãos de massa  acrílica. Essas ataduras são compradas em lojas que vendem suprimentos médicos.

A utilização da atadura gessada é muito simples: corta-se em pedaços, molha-se durante um segundo na água, e aplica-se sobre o relevo, que pode ser de isopor ou papel. Com os dedos deve-se espalhar o gesso que impregna a malha e que foi amolecido pela água. Conforme a atadura vai secando, é possível trabalhar com ela dando-lhe formatos diversos. Isto ajuda no resultado final do relevo.




Nas duas fotos abaixo mostro com ficou o cenário com as pedras principais em seus lugares.
Algumas pedras (ou pequenas elevações) foram feitas com a própria atadura gessada.


Na foto abaixo o conjunto com todas as pedras






Técnica: pintando as pedras com a técnica “leopardo”:
Na etapa seguinte pintei todas as pedras, utilizando a técnica “leopardo”.
As tintas utilizadas da Woodland, foram as seguintes: Stone Gray (C1218), Slate Gray (C1219), Burnt Umber (C1222), Yellow Ocher (C1223) e Black (C1220). Para fazer as partes  marrons,  mais escuras, sempre na base das pedras, utilizei Pó Xadrez diluído em água.
A técnica consiste em escolher uma coloração principal (tonalidade dominante) e  com ela fazer diversas “manchas” na pedra. Aplicar as demais cores escolhidas, preenchendo os espaços livres. Com a cor dominante mais “aguada” fazer a mixagem das cores. Obtida a pintura desejada aplica-se uma boa camada de Matte Medium, que é uma cola transparente produzida pela Model Landscaping Supplies (Scenic Express). Quando a cola estiver seca (esperar 24 horas) aplica-se a cor Black diluída  (1 parte de tinta x 32 partes de água). Imediatamente-  com um pano seco - limpa-se a pedra deixando apenas a tinta que penetrou nas trincas e pequenas fissuras da pedra. O objetivo dessa camada é ressaltar as trincas e fissuras da pedra. Quando a tinta estiver seca aplica-se uma nova camada de Matte Medium para selar todas as cores. O link da Woodland que ensina a utilizar essa técnica é o seguinte: http://youtu.be/3SfP4RpcDYw


  

As áreas que vão receber gramados, arbustos e árvores foram pintadas com  Green Undercoat da Woodland Scenics (C1228).


Na foto abaixo mostro a aplicação da primeira camada de gramado, utilizando a textura Blended Turf (Green Blend – T1349). Ressalto que as pedras receberam a última camada de tinta para realçar as fissuras.


Chamo a atenção para as duas partes escuras da foto acima. É o fundo das duas pequenas cascatas, conforme destaco abaixo.

Esse fundo foi realizado para destacar a água que cairá em forma de cascata. A cor escura no fundo, além de tentar representar aquele musgo que cresce nas pedras onde há muita umidade, vai servir para dar destaque à cortina d’água.

Técnica: como fazer o fundo da cascata:
A execução desse fundo foi assim: Apliquei com pincel uma grossa camada de massa acrílica, devidamente colorida com a tinta Stone Gray  C1218, da Woodland. Sobre a massa acrílica fixei os tufos de Lichen (Dark Green L164) em camadas bem finas. Depois que a massa acrílica secou recortei os excessos de Lichen e borrifei uma camada de cola Matte Medium  seguida de Coarse Turf (Medium green T1364) e outra camada de Blended Turf (Green Blend T1349). Esperei 24 horas para a secagem e,  para fixar todo o conjunto, utilizei novamente o Matte Medium.A pequena cachoeira, na parte da frente da maquete, também foi executada com a mesma técnica.Ao lado da cascata apliquei Maple foliage spring (930-21) da Silflor.


 A mesma vegetação foi aplicada dos dois lados da cabeceira da ponte, conforme mostro nas fotos abaixo. Chamo a atenção para novas pedras (Rock Debris C1275-medium brown, C1270-fine buff, e C1276, coarse brown),  e pedaços de árvores secas ( Dead Fall S30), que foram colocados em diversas partes do rio e do remanso à frente da pequena cachoeira. As pedras mais claras que aparecem nas fotos receberam pintura na etapa seguinte. Todos são  produtos da Woodland Scenics.


Após as etapas acima passei a fixar em seus lugares a vegetação mais densa, como moitas, trepadeiras e árvores. Os materiais utilizados foram Green Blend Blended Turf, Coarse Turf e Underbrush. Depois acrescentei Clump Foliage e pequenas árvores, em duas cores  Fine-Leaf Foliage olive green F1133 e médium green F1131. As trepadeiras da foto acima (Maple foliage spring) são da Silflor, código 930-21. As outras trepadeiras são da Woodland (foliage light green e médium green, códigos  F51 e F52.





Após essa etapa adicionei ao rio a primeira camada de resina, com pouco catalizador para evitar a formação de ondulações (a cada 100 ml de resina, apenas 10 gotas de catalizador). Na preparação da resina adicionei um pouco de parafina líquida (10 gotas para 100 ml de resina) para que ao final da secagem a resina não fique grudenta.  A mistura dos elementos deve ser cuidadosa para evitar a formação de bolhas.
Após a secagem da primeira camada de resina passei a adicionar volume à vegetação. Isso foi feito com novs árvores de Fine Leaf Fopliage, de diversas cores e tamanhos, cuidando sempre com a harmonia do conjunto.  Essa vegetação foi adicionada tanto na frente como atrás d ponte. O resultado é o da foto seguinte. A foto não ficou bem iluminada porque ela estava num ambiente onde não havia possibilidade de receber iluminação adicional.

Como pode ser visto na foto seguinte, adicionei pequenas moitas de capim dentro do rio (ref 727-32 da Silflor) para que fossem levemente cobertos pela água e desse o aspecto “molhado” dessa vegetação que fica meio submersa.
Observem que dei volume à vegetação que cobre a base dos pilares. No pequeno remanso também dá para ver o detalhamento com novas pedras, moitas de capim e galhos de árvores trazidos pela água.

A pintura do fundo do rio é uma etapa muito importante para se obter um cenário realista, indicando profundidades e áreas de água parada.

Técnica: como obter profundidade na água:
Pinta-se o fundo do rio com tinta mais escura onde se pretende obter mais profundidade. O “degradé” da tinta, indo da cor escura até mais clara, vai indicar que o rio diminui a profundidade até chegar à margem.
Para dar mais realismo pode-se fazer manchas no fundo do rio, que simulam vegetação apodrecida, lodo, etc.  A colocação de pequenas pedras, troncos e vegetação submersa dá o visual pretendido a uma área bem úmida da maquete.
Convém observar que a vegetação está praticamente pronta, inclusive com as trepadeiras subindo pelos pilares da ponte.
 


Para complementar o cenário, adicionei vegetação sobre as pedras (Fine-Leaf Foliage) variando apenas em cor, tamanho e textura. As cores de vegetação utilizadas foram “light, médium e dark green”.

Na parede de pedras do fundo,  imaginei a existência de uma mina com a água escorrendo em lâmina bem fina pelas rochas. O resultado foi obtido com repetidas demãos de “Realistic Water” (ref  C1211) da Woodland sobre as pedras.


Na foto abaixo, que registra o outro lado do rio, nota-se bem o cuidado na pintura do fundo do rio e nos demais elementos da paisagem.
Para complementar adicionei entre as árvores alguns produtos que resultassem naquela textura composta de fragmentos de galhos e folhas. Os produtos utilizados, todos da Scenic Express,  foram Adirondack blend EX9078 (green), Scrub grass blend X882B e Dead fall forest debris EX896B.
 

Depois dessa fase apliquei mais uma camada de resina. Por que a aplicação é feita em camadas? Porque a resina reage com o catalizador e seca através de uma reação química. Se colocarmos uma camada grossa demais, a resina parte, faz fissuras, e nem sempre é fácil corrigir isso. Então, a técnica é ir colocando camadas finas.
Normalmente, para um trabalho de laminação ou cópias em molde, utiliza-se 40 gotas de reagente para cada 100 ml de resina. Nesse projeto diminuí para 20 gotas. Fazendo isso consigo diminuir a ondulação da resina, e ela demora um pouco mais para secar. Isto não é problema já que não preciso esperar a resina secar totalmente para adicionar a outra camada. Aliás, se a camada anterior ainda não está bem seca, facilita a aderência da camada seguinte.

Técnica: Como fazer as cascatas?

A técnica que utilizo é a recomendada pela Woodland. Sobre uma forma com Teflon aplico várias camadas paralelas de  Water Effects (C1212).



Com um pedaço de pente faço a mistura do produto procurando imitar o movimento da água quando cai na cascata. Depois de seca fica transparente, como se vê na segunda foto.
Faço isso para dar volume à cascata, já que é possível aplicar um pigmento branco ao produto Water Effects, que já ficará com a cor e a consistência definitivas.
 
 




É importante ressaltar que convém fazer  a cascata no tamanho correto (altura e largura) bastando para isso apenas medir o local onde a cascata vai ser aplicada. O corte posterior da cascata já pronta deixa marcas difíceis de serem corrigidas.

Fixando a cascata:

A fixação da cascata ao lugar reservado para ela se dá com o próprio produto. Aplica-se Water Effects na parte superior da cascata, e com os dedos comprime-se no lugar para dar aderência.

Na sequência pode-se dar continuidade ao paisagismo aplicando Water Effects para dar movimento à água.
Como afirmei acima, costumo aplicar uma primeira camada sem o pigmento branco, para dar volume e demarcar a área que vai receber o Water Effects definitivo. Veja foto abaixo.


Após essa etapa faço a aplicação de Water Effects para dar movimento à água. Nas fotos abaixo isto está sendo feito na parte alta e na parte baixa da cachoeira. A mesma técnica foi aplicada nas duas cachoeiras abaixo da ponte.      


Quando secou o detalhamento das cascatas, apliquei a última camada de água, utilizando o produto Realistic Water. Na aplicação convém despejar a água com o uso de uma vareta (foto abaixo) para evitar que o produto respingue nas plantas.


O visual, antes da secagem completa da Realistic Water é o que está registrado nas fotos abaixo.




DAQUI PARA A FRENTE APRESENTO ALGUMAS FOTOS DO PROJETO CONCLUÍDO.

Detalhes da mina na parede de pedras



A aplicação da técnica correta permite a impressão da transparência, água parada,
 umidade, lodo, etc.



Detalhe da vegetação crescendo sobre as pedras


Outra visão da mina



Os materiais da Woodland são indispensáveis para conseguir
 esse efeito da cascata com o movimento da água



As pequenas cachoeiras, com a secagem completa do Water effects,
ficarão com a tonalidade correta


Mais duas vistas diferentes da ponte



Detalhes da umidade sobre as rochas



E, FINALMENTE, UMA FOTO DO PROJETO COMPLETO... UFA!









 CLIQUE SOBRE AS FOTOS PARA AMPLIAR
Sugestões, perguntas, trocas de experiência, comentários, também podem ser feitos aqui nesta página.

Atenção: é proibida a cópia deste tutorial. Links para esta página são permitidos.
Se houver dúvida, deixe a pergunta nos comentários.