segunda-feira, 3 de novembro de 2014

PROJETO "MONTANHAS ROCHOSAS"



                        (Para ampliar as fotos basta clicar sobre elas)

É IMPORTANTE SABER...

Esse projeto não foi planejado como está. A ideia original era aproveitar uma tábua de MDF de 114,5 cm x 62 cm x 6 mm que estava num canto do meu ateliê para desenvolver sobre ela alguns tutoriais que eu tinha em mente. Só que quando comecei a fazer os primeiros riscos assisti pela TV um episódio da série “A América vista de cima“ que mostrava as Montanhas Rochosas... Fiquei encantado com o que vi. A ideia inicial virou pó e mudei tudo refazendo meu projeto para que eu reproduzisse um pedacinho da região mostrada no episódio citado.
Inicialmente fiz muitas pesquisas na internet, selecionando fotos das montanhas Rochosas que mostrassem rios, cascatas, lagos, vegetação, animais, as quais foram devidamente arquivadas para consultas.
Tenho um processo que pode parecer estranho mas que executo sempre que tenho um novo projeto. Após arquivar dezenas de fotos da região que me interessa volto várias vezes ao arquivo e olho demoradamente cada uma delas, observando detalhes de cores, texturas, margens de rios, formatos das cascatas, tipos de pedras, etc., etc.
Acredito eu que crio em mim um arquivo subjetivo de informações que vão aflorar quando eu estiver executando o projeto...

PRIMEIROS PASSOS

O primeiro passo foi desenhar sobre a tábua as linhas principais do projeto a ser desenvolvido.
Risquei o trajeto da ferrovia e depois fixei os trilhos sobre os riscos, colocando a ponte em seu lugar para ver como ela ficaria no conjunto. Risquei com um lápis o trajeto do rio, que depois acabaria sendo alterado. O desenho que parece uma escadinha marca o ponto da cascata. A parte branca é vestígio do meu tutorial “Como fazer asfalto em maquetes”...




Com um lápis de carpinteiro marquei bem o trajeto da ferrovia, uma vez que os riscos me serviriam de guia para fazer o elevado de madeira que daria a altura definitiva dos trilhos quando o Isopor estivesse fixado no fundo da caixa.




Na foto seguinte mostro como a caixa foi montada, inclusive como a base de madeira que deixaria os trilhos no nível do Isopor.
Testei o espaço destinado à ponte uma vez que depois do Isopor colocado não haveria a possibilidade de fazer alterações.




Na etapa seguinte, utilizando Isopor de alta densidade, fiz a  camada básica do cenário, efetuando no Isopor o corte para o trajeto do rio indicando onde ficariam as duas pequenas quedas de água. Nessa altura eu desisti da ideia de o rio atravessar todo o cenário, optando por fazer com que ele passasse pela cascata principal. Isso simplificaria o processo melhorando a distribuição dos elementos da paisagem.




Na imagem abaixo é possível ver onde acrescentei o Isopor após a ponte no sentido da correnteza do rio. Observem que já vou definindo o formato dos barrancos, efetuando cortes com um cortador de Isopor.




Na sequência fixei a cortiça que serviria de base para os trilhos e para o lastro utilizando uma grampeadeira. Sempre faço isso porque se houver necessidade de mudar o traçado, basta retirar os grampos e reaproveitamos a cortiça, mesmo que ela já esteja com o lastro e com os trilhos colados (1 – Veja no final do texto link onde ensino a efetuar consertos sem perder o material aplicado).




Costumo nivelar bem a cortiça lixando-a suavemente para aparar toda e qualquer saliência. Isso facilita a aplicação dos trilhos.



Depois de lixar a cortiça fiz a fixação das placas de resina que imitam pedras. Elas foram levemente aquecidas com um soprador térmico para permitir uma curvatura suave, ajustando-as ao local onde seria fixadas.. Atrás das placas, entre os pilares de madeira, inseri pedaços de Isopor para servirem de sustentação às placas de resina, que foram devidamente coladas no local.






Na foto abaixo dá para perceber bem as mudanças que fiz no traçado original do percurso do rio. Eliminei o trecho em que ele vinha da esquerda e recuei a cascata um pouco mais para esse mesmo lado. Essa mudança deu uma continuidade melhor à paisagem.




No trecho da ferrovia que ficaria sob o túnel, fiz a fixação dos trilhos uma vez que depois de o túnel estar colado em seu lugar não seria possível fazer o lastro. Observem que no final dos trilhos já pintei de preto a parede da caixa.
Adicionei novas camadas de isopor à esquerda do túnel.



Preparei o túnel em curva, conforme a foto acima. Depois de colado e seco, apliquei cola PVA sem diluição à parte interna e espalhei sobre a cola um produto chamado “Vermiculita”, que é uma pedra expandida usada em construções para isolamento térmico. Ela também é utilizada por floriculturas em vasos de flores.
Depois que a cola secou eliminei o excesso de vermiculita e fiz uma pintura inicial com aerógrafo, escurecendo levemente as pedras, deixando-as com uma cor bem próxima da tonalidade dominante de todas as pedras que iriam ser utilizadas no projeto.


Na fixação do isopor utilizo cola PVA (Durafloor) para assoalho, que é uma cola solúvel em água mas depois de seca é extremamente resistente à umidade.
Uma ferramenta indispensável é o cortador de isopor, para seccionar os pedaços de acordo com o perfil da paisagem e para dar o formato inicial com a eliminação das arestas.




 Na foto seguinte o portal do túnel, com uma pintura básica, já está em seu lugar (Woodland  C1253). O relevo à volta dele foi executado com Isopor de alta densidade. Nessa área também já foi aplicada a atadura gessada (2- Veja no final como aplicar a atadura).




Na foto seguinte todo o conjunto já recebeu a atadura gessada. Posteriormente fiz pequenas alterações no relevo, mas não foram significativas.




Outra foto num ângulo um pouco mais dramático...



PEDRAS E MAIS PEDRAS...

Todas as pedras utilizadas neste projeto e que apareceram inteiras ou fragmentadas nas fotos seguintes foram feitas com os moldes da Woodland. Como o volume de pedra era grande, desde o início do projeto preenchi com gesso duas ou três formas por dia. Isso daria tempo suficiente para que elas ficassem bem secas quando chegasse o momento de utilizá-las.




Costumo fazer a fixação das pedras utilizando o seguinte método: deixo as pedras alguns segundos na água para que fiquem bem umedecidas, aplico uma porção de massa acrílica na sua parte posterior e fixo a pedra no lugar. Pequenas sobras da massa acrílica devem ser retiradas com muito cuidado porque se elas se fixarem sobre a pedra, neste local ela não absorverá a pintura, ficando pequenas manchas.



Esta é a visão do lado voltado para a cascata.



Nesta foto mostro a parte que ficou sob a cascata. Coloquei pedras pequenas porque sobre ela aplicaria musgos, que é a vegetação que brota onde as águas escorrem.




Nesta etapa todas as pedras já foram colocadas. Com um pincel preenchi com gesso todos os espaços entre elas. Além disso, com gesso mole, fiz pequenos volumes sobre os níveis planos, para criar saliências que seriam mais adequadas à paisagem.





PINTURA DAS PEDRAS

Terminada a parte básica da paisagem o passo seguinte foi pintar as pedras. A técnica que utilizo é a adotada pela Woodland Scenics, chamada “leopardo”.  As cores que utilizei foram a preta, com diluição de 32/1 (água/pigmento) e 16/1, Yellow Ocher 1/16 e Stone Gray 1/16


A cor dominante escolhida foi a preta, diluída em 1/32 (água/pigmento). Apliquei pequenas manchas com essa cor em todas as pedras. Depois fiz manchas menores com o Yellow Ocrer e, finalmente outras manchas bem suaves com a cor Stone Gray. Passei novamente a cor preta 1/32 em todas as pedras. Tendo secado a tinta selei tudo com Matte Medium. Quando o Matte Medium secou apliquei uma camada de Black diluída na proporção 1/16 para ressaltar as fissuras. Finalmente reapliquei o Matte Medium para terminar a pintura. O resultado é o que pode ser visto nas fotos seguintes.







E na foto seguinte uma visão panorâmica com a pintura de todas as pedras.




FAZENDA A PINTURA BÁSICA DO PAISAGISMO

Tenho por costume, a partir desta etapa dos meus trabalhos, pintar toda a atadura gessada com a tinta   “Green Undercoat”, da Woodland Scenics (ref. C 1228) diluindo-a na proporção 1/16. Ela vai servir como base para todo o paisagismo que será feito na continuidade. Veja como ficou.


Nesta etapa preparei a base do rio aplicando com um pincel diversas camadas de massa acrílica. 
ATENÇÃO! Esta providência é necessária porque independentemente da pintura de fundo, como a base é feita com Isopor, se houver qualquer furo na massa acrílica a resina cristal irá fluir por ele e diluir o Isopor, destruindo toda a base.
Na sequência passei cola PVA diluída (3/1 cola/água) em cima da atadura gessada pintada de verde e apliquei  sobre a cola o “Blended Turf “ da Woodland Scenics (ref T1349). O resultado é o que se vê na foto seguinte.



Na foto abaixo deixei marcado o local onde vai correr um pouco de água de uma nascente ao lado do túnel.




A pintura que fará a base da cascata e do rio também foi executada nesta etapa.



O muro de arrimo feito de “pedras” também recebeu o acabamento final.


Abaixo podemos notar que toda a base do rio abaixo da cascata recebeu a pintura com tinta acrílica. A pintura mais escura é para simular profundidade na água.





O túnel recebeu os últimos retoques na parte interna.



Comecei a colocar as pequenas pedras na paisagem. Novamente utilizei produtos da Woodland Scenics  (Talus) referências C1278, C1279, C 1280 e C1281, na cor cinza porque elas são da mesma cor que as pedras maiores dos paredões e dos barrancos.  Como essas pequenas pedras representam aquelas que se soltam das pedras maiores por ação da natureza, ambas têm que ter a mesma cor.
Primeiro espalho um pouco de cola PVA sem diluição e, sobre ela, com uma colherinha, coloco pequenas porções de pedras pequenas, médias e grandes.



A base da cascata recebeu pedras maiores; nas margens do rio misturei os três tipos de pedras, dispondo-as como se tivessem sido arrastadas pela correnteza.



Observem como fiz uma parede de pedras na pequena cachoeira. Isto permitiu dar movimento à água na etapa seguinte do paisagismo. Neste local as águas ficariam “agitadas”.




Para simular os galhos secos arrastados pelo rio utilizei o produto “Dead Fall” (S30) da Woodland. As três fotos seguintes mostram onde foram adicionados à paisagem.







A cascata recebeu uma cobertura de musgo  (lichen) da Woodland (L162).
Com um pincel apliquei cola PVA sem diluição sobre as pedras. Colei os tufos de musgo e, depois que tudo secou, recortei os excessos com uma tesoura. Borrifei o musgo com Matte Medium e joguei sobre ele o "Blended turf" (green blend T49).



Nesta etapa adicionei mais pedras ao fundo do rio, dando preferência às margens.


Cachoeira: como fazer, eis a questão!

Não vou mentir, tanto em meu projeto anterior “O Vale da Ponte dos Arcos” quanto neste a minha maior dificuldade foi fazer uma cascata que se parecesse com uma cascata real. Foram diversas tentativas até que obtive um resultado que me deixou razoavelmente satisfeito. Esclareço que a cascata que é feita com “Water effects” da Woodland  (C1212) recebe posteriormente diversas camadas do mesmo produto, mas aí o “water effects”  recebe algumas gotas de pigmento branco da mesma Woodland (C1216).
Veja no final do texto como fiz a cascata (3)
Na foto a seguir faço a aplicação da cascata em seu lugar, utilizando como cola o próprio “water effects”, pressionando-a com um pinça.




Veja com a cascata ficou, já fixada em seu lugar. Ao lado dela, fiz uma outra mais estreita, uma vez que no alto do rio as águas se dividem em duas correntes. Observem como a lâmina básica de água ainda está bem diferente do resultado final.



A partir desta etapa comecei a colocar a resina cristal fina, levemente colorida com pigmento azul. Foram 5 camadas de resina cristal e a última camada com “Realistic Water” (Woodland  c1211).

IMPORTANTE!

Alguns detalhes importantes devem ser lembrados: apliquei camadas bem finas de resina para evitar que a reação química criasse ondulações indesejáveis. A resina cristal sem parafina líquida fica bastante pegajosa, por isso, e por uma questão de economia, utilizei o produto da Woodland apenas para fazer a cobertura final, uma vez que  a “Realistic water” faz sua secagem sem a necessidade de um catalisador.
Gostaria que observassem na foto abaixo o reflexo verde no lado esquerdo da água. Foi uma ideia que tive numa noite de insônia, onde me ocorreu que se eu passasse uma camada bem fina de resina cristal levemente colorida de verde na margem do rio, daria a quem olhasse a impressão de reflexo da vegetação. Deu certo!
Quando secou totalmente a camada de resina “Realistic Water”  comecei a adicionar à paisagem pequenos tufos de capim da Mininatur (MN72731 e MN72732), e da Busch (BH1308).



Iniciei a fixação das árvores na parte do meio da maquete (Heiki 2042, 2044 e 2049). Sobre os barrancos, após passar cola PVA com pincel,  coloquei “Foliage" (Woodland  F51),



Na sequência fui colocando árvores do lado esquerdo e acima da cascata.


Mostro em detalhes como faço o adensamento da vegetação, acrescentando galhos (Woodland  - Dead Fall – S30), “Foliage light green” (Woodland - F51). Para fazer a variação em degradé da “foliage” depois que ele foi fixada à pedra, passo novamente cola no meio dela e através da técnica “flyspecking”  adiciono “Fine turf green grass” sobre ela (Woodland T45). O visual fica bem interessante.


Enquanto fixava as árvores ao cenário aproveitei para melhorar o visual da cascata, aplicando “Water effects” para dar movimento à agua. Observem que adicionei vegetação ao lado das duas quedas de água e diversas pedras no rio acima da cascata. Do lado esquerdo, subindo pelas pedras, adicionei ramas de trepadeira (Silflor – Mininatur 930-21- Maple ffoliage spring).
Defronte a cascata inseri diversas árvores, cuidando para equilibrar o visual com bastante vegetação rasteira.





Na foto acima é bem fácil observar que as pedras estão muito brancas, sem preenchimento vegetal. Isto foi resolvido agregando a elas diversos tipos de vegetação, como pode ser verificado na foto abaixo.



O lado esquerdo da cascata também recebeu mais vegetação, com moitas, tufos e pequenas árvores.



Os dois lados do curso mais estreito da cascata também receberam pequenos tufos de vegetação, constituído de “Lichen  spring green” (Woodland – L161), pequenos galhos de “Fine-leaf foliage”  médium green F1131, light green F1132 e olive green F1133 (Woodland); foram colocados também tufos de capim da Mininatur “summer green tone pririe tufts”, além de pedaços de “Forest thicket” BH 1308 (Busch). Para complementar coloquei também várias moitas de “Summer green tone Prairie tufts” – MN 72732 (Mininatur).



Para obter a umidade sobre as folhas e as pedras, com um pincel passei várias camadas de “realistic water – C1211 (Woodland).
Nesta etapa adicionei mais camadas de “Water effects” sobre a cascata C1212 (Woodland). Com o mesmo material trabalhei a base da cascata adicionando movimento à água.



Ainda com o uso de “Water effects” apliquei movimento à água nas duas pequenas cachoeiras e no remanso que se forma na base delas. Moitas de capim e alguns galhos secos complementaram a paisagem. 





Para fazer o adensamento da vegetação sobre a entrada do túnel acrescentei pequenas moitas de “Fine-leaf foliage, Foliage-F52, e pequenos pinheiros da Heiki - 2059.



Nas margens do rio inseri pequenos pinheiros e moitas de “Fine-leaf foliage”.




Do lado direito do túnel também adensei a vegetação acrescentando novas árvores. Sob uma grande árvore da Heiki – 1345, uma fêmea de cervo amamenta o filhote, enquanto outro, um pouco maior, fica pastando.




É comum, nessas florestas, o aparecimento de muito material orgânico que vai se acumulando pelo chão. Para obter esse efeito utilizei o produto “Flock & turf – Green adirondack blend EX897C e dead fall forest debris EX896C (Scenic Express).


Experimentei um produto que ainda não havia usado em minhas maquetes, o “Super turf” da Scenic EX860B, com o qual fiz a árvore verde claro à esquerda da foto abaixo.



Nesta altura do projeto resolvi terminar a pintura da ponte e fixá-la em seu lugar. As três fotos abaixo mostram esse trabalho.
Na primeira foto estou fazendo a pintura base. Usei o “Primer universal cinza/gris”  00018, da Sherwin Williams, devidamente diluído.




Na sequência, usando um pincel macio, pintei as tábuas que servem de passarela ao lado dos trilhos. Usei tinta acrílica da Corfix – 113 vermelho óxido, bem diluído.



Era a hora de fixar a ponte em seu lugar, só assim seria possível assentar os trilhos, colocar o lastro e fazer o acabamento final da ponte.



Fiz a fixação dos trilhos usando preguinhos e um ponteiro para evitar que o martelo atingisse os trilhos.



O passo seguinte foi a aplicação do lastro, que faço com equipamento apropriado por ser mais rápido e por dar um resultado melhor.



Sempre deixo o lastro bem encharcado de água com algumas gotas de detergente,  para facilitar a penetração da cola.


 
E finalmente a cola, que é aplicada três vezes para dar boa resistência mecânica, uma vez que posteriormente eu retiro os preguinhos dos dormentes. Uso cola branca PVA, diluída a 50%.




Com os trilhos assentados e com o lastro seco dei o acabamento final à ponte. Para dar os tons de ferrugem nas conexões metálicas usei o mesmo vermelho óxido citado acima, acentuando a oxidação das ferragens que se ligam à base da ponte.





Na foto abaixo uma outra visão da ponte.



ETAPA FINAL DO PROJETO

Na foto abaixo mostro o trabalho de colocar pequenos arbustos na base das pedras. Para isso usei pedaços de “clump-foliage”  FC682, e de “Underbrusch” FC135, (Woodland). Depois acrescentei “Super turf” da Scenic EX860B, e pequenos galhos de “Fine-leaf foliage”, médium green f1131 e light green  f1132. Sobre toda a vegetação borrifei Matte Medium.



Nesta etapa, com a parte da frente do projeto com toda a vegetação em seu lugar, inseri a camada orgânica que se espalha pelo chão da floresta. Usei “Dead fall forest debris" EX896C e "Green adirondack blend" EX897C, ambas da Scenic Express. A fixação permanente foi feita com Matte Medium.



Para dar maior realismo pintei o arco superior do túnel com um esfumado de tinta preta.



Na sequência acrescentei novos elementos às margens dos rios: galhos secos, moitas de capim, “Fine-leaf foliage” na beira do barranco de pedras e, usando “Water effects” aprimorei o movimento das águas na pequena cachoeira. A espuma foi obtida acrescentando algumas gotas de pigmento branco da Woodland (C1216) ao “Water effects”, que foi aplicado com a ponta de um pincel de cerdas duras.



Na foto seguinte mostro como componho a vegetação mais baixa, aquela constituída de pequenos arbustos, gramíneas e moitas de capim. 




Outros pontos do rio também receberam galhos secos e extensa vegetação flutuante, que foi colada sobre a resina com Cianocrilato.



Os animais não foram esquecidos. Usei um kit da Woodland Scenics (1884).





Na foto a seguir dá para ver melhor em que lugar foram colocados os servos.


A parte superior do rio, acima da cascata, recebeu as camadas finais de resina cristal fina, levemente colorida de azul. Após a secagem da resina cristal, selei todo o conjunto com a resina “Realistic Water”, da Woodland.


DAQUI PARA A FRENTE MOSTRO UMA SÉRIE DE FOTOS QUE REPRESENTAM O TRABALHO CONCLUÍDO.











CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Algumas das técnicas apresentadas neste projeto foram desenvolvidas e testadas em projetos anteriores. Na sequência listo as técnicas e o link onde elas podem ser encontradas.

Qualquer dúvida, sugestões, informações, troca de experiências, podem deixar mensagem nesta página.

Outras observações:

Iniciei este projeto no dia 3 de maio de 2014 e o concluí no dia 12 de outubro de 2014.
Foram meses de muita dedicação, muito esforço, muitos acertos e muitos erros. Mas o mais importante é que eu sabia exatamente onde queria chegar. 
Mesmo que todo o projeto estivesse pronto em minha cabeça, diversas vezes minhas mãos não conseguiam acompanhar o que me cérebro exigia. Então desmanchava tudo e recomeçava, até que minhas mãos e meu cérebro entrassem em acordo sobre o nível do trabalho.
Com essa postagem dou todo o trabalho por concluído. Espero que ele sirva de incentivo e inspiração para todos aqueles que fazem do ferromodelismo mais do que um hobby, uma forma de viver a vida com muita alegria, amizade e satisfação.
Um grande abraço a todos!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

COMO USAR UMA FONTE DE COMPUTADOR PARA ILUMINAR A MAQUETE?

A iluminação de uma maquete é indispensável,  e existem diversas formas de fazer isso. A que sugerimos é utilizar uma fonte de computador.
Na iluminação de uma maquete, de um modo geral,  recomenda-se utilizar lâmpadas de baixa voltagem (6, 12 ou 16 V), e jamais fazer a iluminação com a voltagem em 127 ou 220 volts, pelo evidente risco que se corre num eventual curto circuito.
Mandar enrolar uma fonte específica para essas voltagens e que disponibilize uma amperagem bem alta fica muito caro, mas as fontes de computador se revelam extremamente baratas e adequadas para a nossa finalidade. Desde, é claro, que você respeite a quantidade de lâmpadas que podem ser ligadas a ela (veja comentário abaixo). Essas fontes de computador podem ser obtidas nas oficinas de assistência técnica a um preço bem acessível.
A fonte que nos interessa é a fonte ATX. Na realidade  essa nomenclatura é relativa à placa mãe, desenvolvida pela  Intel® a partir de 1995, mas como para essa nova placa havia a necessidade de uma fonte mais “poderosa” para suportar os novos processadores, essa nova fonte acabou ficando conhecida com a mesma sigla que pertence à placa.

Para simplificar, quanto às conexões elétricas, seletor de voltagem e chave liga/desliga,  vou dizer que existem dois tipos, cujas fotos coloco abaixo.



Como se pode notar na primeira foto, essa fonte tem uma chave (no círculo vermelho)  muito adequada para você ligar/desligar a iluminação da maquete. Embora a outra fonte (foto2) não tenha a chave liga-desliga, ela também  funciona vinculada à placa mãe, isto é: ambas são desligadas pelo sistema operacional (Windows ou Linux).
Lembramos, também,  que essas fontes nos oferecem corrente contínua, muito adequada às diversas aplicações que pretendemos.
As fontes são fornecidas com as mais diversas potências e amperagens (veja abaixo dois exemplos de placas com as especificações técnicas).  
Quando você for calcular se a fonte vai aguentar ou não a amperagem relativa ao total de lâmpadas, se for em 12 volts leve em consideração o número que aparece no retângulo vermelho das fotos abaixo, a amperagem de saída. Se estiver utilizando uma fonte usada, dê uma margem de segurança para evitar que a sobrecarga desarme a fonte (se ele tiver proteção contra queima). 
Você vai saber a carga total medindo a amperagem de uma lâmpada e multiplicando-a pelo número de unidades instaladas na maquete. 




Para facilitar, vamos dar uma espiada no painel da fonte de  onde saem os fios.


As cores dos fios e suas respectivas voltagens de saída são padrões para todos os fabricantes. 
As cores que nos interessam e suas respectivas voltagens são as seguintes:
Preto – neutro
Vermelho: 5 volts
Amarelo: 12 volts (amarelo)

COMO PREPARAR A FONTE?


Não se assuste com a quantidade de fios. Recorte fora os plugs e todos os fios que não tiverem as cores relacionadas acima. Isole-os para evitar curtos. Deixe os demais fios com aproximadamente 20 cms. Observe  que na foto acima o fio verde está ligado a um fio preto. Na fonte ATX é necessário fazer esse “jump” porque senão ela não funcionará. 

COMO USAR OS FIOS QUE RESTARAM?
Como vão sobrar muitos fios das cores citadas, você pode usá-los aos pares para iluminar a maquete, inclusive  destinando  um par aos postes, outro às casas, outro às indústrias, e assim por diante. 
Coloque conectores do tipo destacado na foto abaixo aos pares de fios. Isto facilitará o manuseio da fonte e a conexão dos fios que alimentarão a maquete. Tendo em vista que essas fontes oferecem uma boa amperagem em corrente contínua, elas são excelentes para alimentar circuitos ou aparelhos que necessitem de 12 volts.


Chaves independentes para ligar os diversos setores da maquete são bem adequadas. A iluminação setorizada enriquece visualmente a maquete. Para  seccionar a iluminação basta que se coloque uma chave entre a fonte e o circuito que será alimentado.
Uma outra utilização prática da fonte é reservar um par de fios amarelo/preto para testes de “leds”.  Basta colocar um resistor de 1 K (foto abaixo) o qual será suficiente para testar os “leds” de todas as cores sem o risco de queimá-los.
Para evitar curtos circuitos é conveniente isolar as conexões com o espaguetti termo retrátil.


Com uma fonte de computador você terá uma boa forma de iluminar a sua maquete a um preço bem baixo. 
Se a quantidade de lâmpadas e a amperagem ultrapassarem o limite suportado pela fonte,  divida o circuito e acrescente outras fontes. Este cuidado dará uma margem de segurança à iluminação da maquete.
Bom trabalho e boa diversão.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

COMO FAZER MORROS E MONTANHAS

                                            (Para ampliar as fotos basta clicar sobre elas)


Uma pergunta que me fazem com frequência é como faço os morros e montanhas das minhas maquetes.
Existem várias formas para executar bem essa tarefa mas vou mostrar neste pequeno tutorial como resolvo isso utilizando materiais baratíssimos, como papel Kraft, jornais velhos, embalagens descartadas de Isopor e, como acabamento, atadura gessada (depois explico melhor que produto é esse).


LISTA DE MATERIAIS E UTENSÍLIOS


1 – Papel Kraft, ou jornais velhos (Este papel é encontrado em lojas de embalagens)
2 – Borrifador de água
3 – Grampeador
4 – Gesso estuque (pode ser encontrado em qualquer loja de materiais de construção)
5 – Cola PVA (de preferência dessas utilizadas para fixar assoalhos – depois explico porquê)
6 – Fita crepe
7 – Uma pequena peneira de chá

8 – Pedaços de embalagem de Isopor


Além dos materiais citados acima você vai precisar de uma forma de bolo e, é claro, das ataduras de gesso. No exemplo deste tutorial utilizei atadura gessada de 20 cm de largura.

O que é “atadura de gesso”?
É um produto médico hospitalar onde uma base de tecido de algodão é impregnada uniformemente com gesso. Ela serve para imobilização de fraturas ósseas e lesões musculares.

Onde a “atadura gessada” pode ser comprada?
Pode ser comprada em lojas que vendem suprimentos médicos hospitalares.
Elas são vendidas com 6 cm, 8 cm, 10 cm, 12 cm, 15 cm e 20 cm de largura. Cada rolo vem com 4 metros de comprimento. Cada unidade (20 cm de largura) custa hoje em torno de 2,5 dólares (preço no Brasil).

VAMOS COMEÇAR!

Sobre o tablado, no local escolhido, aplique primeiro os pedaços de embalagem de  Isopor para fazer a base. Eu utilizo o Isopor porque é leve, e se a maquete deverá ser transportada  para exposições ou esporadicamente mudada de lugar, ser leve é algo fundamental.
Cole as peças de preferência com cola de assoalho porque embora ela seja solúvel em água, depois que seca não sofre mais a ação da umidade, o que evita descolamentos dos produtos aplicados.
Atenção!

É importante, após a colagem do Isopor ao tablado, aguardar um tempo de secagem adequado porque a etapa a seguir depende da perfeita fixação das peças à base.


Continuando!

 Na sequência rasgue pedaços de papel Kraft ou de jornal, faça pequenas bolas com eles e fixe-os no lugar escolhido com grampos e fita crepe.
O tamanho e o formato da montanha vai depender das necessidades do modelista. É importante lembrar que toda maquete tem uma escala, e tudo o que é feito nela deve levar a escala em consideração.

DICA IMPORTANTE!

À medida que você for fixando o papel vá fazendo dobras para simular o formato das pedras e do relevo. Isto vai ajudar no resultado final.

Veja na foto abaixo como vai ficar a primeira etapa.

Depois que você colocar todo o papel o visual vai ser mais ou menos esse da foto abaixo.
Parece um embrulho mal feito, mas é assim mesmo que deve parecer...


VAMOS MOLHAR AS MÃOS!
(Se achar conveniente utilize luvas para aplicar a atadura de gesso)

A partir desta etapa o seu capricho e criatividade são muito importantes para a obtenção do resultado final que se deseja.
Abra a embalagem de atadura gessada e vá cortando, com uma tesoura, pedaços de aproximadamente 20 cm. Deixe vários pedaços cortados para facilitar o serviço. Deixe, também,  a forma pronta, com água, num nível suficiente para haver a completa imersão da atadura gessada.
Mergulhe a atadura por um segundo na água,  retire-a imediatamente e comece a aplicá-la sobre o papel (não deixe por mais tempo porque o gesso poderá se soltar da atadura).


Como a atadura está impregnada de gesso, com a ponta dos dedos esfregue o gesso molhado para que ele se espalhe tapando a malha do tecido.

Dica!

1 - Com um borrifador de água, molhe suavemente o papel no local onde você vai aplicar a atadura. Isto facilitará a adesão da atadura ao papel.
2 – Aproveite o momento da aplicação da atadura para ir dando formato ao relevo.

Opa! Está tomando forma!
Veja como vai ficando o visual...



Dica!

Utilize um pincel de cerda dura para fazer a atadura gessada entrar nas frestas do papel, formando as reentrâncias.


Importante!

É comum o gesso não ser suficiente e ficar aparecendo a trama do tecido.

Como resolver isso?

Simples! Molhe suavemente o local com o borrifador de água e aplique uma nova camada de gesso com uma peneira de chá. Após espalhar o gesso alise-o com os dedos ou com o pincel para que a trama do tecido desapareça.

Nessa etapa você pode adicionar pequenos pedaços de atadura ao conjunto, para melhorar o relevo, com pequenas elevações, ou para tapar frestas que ficaram muito grandes.

E agora, com uma camada de atadura aplicada em todo o conjunto, obtemos o resultado final.

O mesmo conjunto visto de outro ângulo.

Como se percebe pela sequência de fotos,  fiz a aplicação de apenas uma camada de atadura gessada. Nas minhas maquetes aplico três ou quatro camadas para que o conjunto tenha uma boa resistência mecânica. Uma vez que posteriormente serão aplicados acabamentos para finalizar o cenário é importante que esse material tenha uma boa base. Além disso se o morro/montanha for bem resistente, não rachará quando houver uma eventual movimentação da maquete. 

Gostaria de lembrar que o resultado final vai depender muito da habilidade do modelista.

Em cima do método que apresentei, podem ser adicionados diversos melhoramentos ou técnicas complementares que o modelista conheça.

A título de informação, no exemplo acima gastei dois rolos de atadura gessada de 20 cm de largura.

Lembro, também, que após essa etapa a montanha receberá o paisagismo, com a colocação de pedras pré-fabricadas de gesso, vegetação rasteira e pequenas árvores. Mas isto é um assunto para outro tutorial.

Se alguém ainda tiver alguma dúvida basta deixar mensagem que terei o maior prazer em esclarecer.

sábado, 4 de janeiro de 2014

COMO FIXAR AS CONSTRUÇÕES NO TABLADO?


Quando você vai fixar alguma construção sobre a maquete deve levar em consideração  que ela poderá necessitar de reparos, uma nova pintura, uma modificação no modelo ou a troca de uma lâmpada que queimou. Se colar, certamente algo vai estragar na hora em que a construção tiver que ser removida.
A dica a seguir mostra uma maneira fácil e prática de fixar suas construções no tablado. A técnica utilizada permite que a peça (se precisar de reparos) possa ser retirada quantas vezes você necessitar sem que o conjunto se faça em pedaços, como é comum acontecer quando as construções são coladas ao cenário.
A foto abaixo mostra onde eu deveria colocar o prédio do laboratório e do almoxarifado na minha maquete VALENE - Uma siderúrgica dos anos 40.
O espaço já estava preparado com as dimensões do edifício.

Este é o prédio que iria ocupar o espaço indicado na foto acima


COMO FAZER?

Corte uma pequena ripa de madeira (normalmente uso balsa) para que caiba exatamente dentro das duas extremidades da construção. Em seguida faça um furo exatamente no meio dela e coloque um parafuso com comprimento adequado para atravessar o tablado. Faça o furo bem justo para que você possa rosquear o parafuso na madeira. Cole o parafuso na madeira com adesivo instantâneo. 
Fixe a ripa na construção conforme mostrado na foto abaixo, colando-a nas extremidades. Não esqueça de deixar pronta e em seu lugar a iluminação do edifício. 




MOLDE

Depois de fixar o pedaço de madeira com o parafuso na construção, fica muito difícil marcar no tablado de forma correta o local do furo para passar o parafuso. Então, o pulo do gato é fazer um molde da construção a ser fixada.
Pegue um papelão maior que o fundo do edifício, faça um furo bem no centro do papelão, passe-o pelo parafuso e encoste-o na base da construção, conforme foto abaixo.



Vire a construção e com uma caneta risque todo o contorno do edifício. Não esqueça de anotar no papelão o lado da frente do prédio.



Com uma tesoura recorte o papelão.


Coloque o papelão onde vai ser fixada a construção e risque o local onde deverá ser feito o furo para a passagem do parafuso.


Como a construção vai ser iluminada, não esqueça de fazer mais um furo para a passagem dos fios.


 Na foto abaixo a construção já está em seu lugar, o parafuso já recebeu arruela e porca debaixo do tablado, e os fios de iluminação já foram ligados à rede que alimenta toda a maquete.

Pronto! O edifício já está iluminado e ajudando a embelezar a maquete.
O mais importante é que, não importa quantas vezes você necessite retirar a construção, sua tarefa vai ficar muito mais fácil com a técnica explicada nessa dica.


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